O livro "O velho e o menino" conta a jornada do menino em busca do seu propósito. Para tanto, ele conta com os aconselhamentos do velho Taful, senhor refinado e perspicaz que entra na vida do jovem de uma maneira inusitada, durante um trajeto corriqueiro de ônibus.

A obra traz conceitos importantes e nos faz refletir sobre motivação, significado, valor e, obviamente, amizade.

Para compreender a dinâmica da narrativa é fundamental entender, desde o princípio, as seguintes definições:

  1. Desejos não são um propósito: o primeiro nos conduz ao segundo, que é algo maior e perene, que vai nos acompanhar pela vida inteira. Desejos são o caminho para descoberta do propósito;
  2. Existe uma diferença entre DESTINO, que é algo que já está determinado, e DESÍGNIO, que se trata de uma possibilidade, uma construção. Os desígnios são, em essência, o impacto das ações presentes no futuro.

O autor convida cada leitor a elaborar uma lista de desejos e confrontá-la com cinco desígnios centrais, a fim de encontrar seu propósito.

1° desígnio: CRIADOR E CRIATURA

Este desejo é meu ou advém de terceiros - sociedade, família, amigos, mídia? Quando sou CRIADOR dos meus desejos, me comprometo com cada um deles, aprendo com acertos e erros. Tenho disposição para recomeçar. Por outro lado, enquanto CRIATURA, delego responsabilidades, assumo uma postura passiva, muitas vezes me resignando com o papel de vítima. Ser CRIADOR é ser agente da própria história.

2° desígnio: FALTA E FARTA

Diferenciar a carência do desejo faz-se necessário na busca pelo propósito. A carência tem uma relação direta com aquilo que me falta, enquanto o desejo se associa àquilo que tenho para oferecer como retribuição.

Se a elaboração parte da FARTA, quero oferecer (desejo). Quando baseada no ato de obter, me aproximo da FALTA (carência).

Logo, um anseio com potencial de propósito tem que estar no campo da FARTA.

3° desígnio: SUJEITO E OBJETO

O terceiro desígnio diz respeito à importância de nos valorizarmos enquanto indivíduos, fugindo da cilada de “coisificar” as pessoas.

Daí surge a ideia de que ser contributivo deve ser a nossa meta, e não ser útil. A noção de utilidade transita no campo do OBJETO, sendo, portanto, passageira e suscetível obsolescência.

Em contraponto, um SUJEITO contributivo leva tal valor para toda vida.

Em síntese, devemos balizar nossos desejos na linha do que importa, e não do que funciona.

4° desígnio: CHAMA E CHAMADO

É neste ponto em que há um encontro entre o que é interno, nossa vocação, a CHAMA, com o externo, o CHAMADO.

Uma vez que o desejo passou pelo crivo dos demais designíos, é hora de olhar para fora e compreender a melhor maneira de fazer valer meu propósito.

5° desígnio: UFA E OBA

Quando vivencio o meu propósito, qual é a sensação resultante: alívio (UFA) ou alegria (OBA)?

Obviamente, um propósito válido deve despertar o contentamento. Sentir qualquer emoção divergente dessa é um sinal de alerta: reveja seus desejos, avalie novamente cada um deles diante dos desígnios e corrija sua rota.

A jornada rumo a um propósito é desafiadora e trabalhosa. Exige senso crítico e perseverança. Dúvidas e incertezas surgirão ao longo do caminho.

Agir é a palavra de ordem! Tenha em mente que o desejo deve vencer o medo: atitude vem antes, coragem vem depois.

Além de nos trazer estes importantes ensinamentos, a narrativa do autor é leve e de fácil compreensão. Assim, acompanhar o desenrolar da fortuita relação entre o velho Taful e o menino é algo prazeroso e enriquecedor.

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