Publicado em 2014, “Criatividade S.A.” traz em suas páginas o relato pessoal Ed Catmull, presidente da Pixar, sobre o que aprendeu durante seus 33 anos de empresa.

Ao longo da obra, qualificada pela revista Forbes como “provavelmente o melhor livro de negócios já escrito”, o autor apresenta conceitos teóricos ilustrados por casos reais, vivenciados em sua organização, que tem a cultural criativa como diferencial.

A primeira grande lição é o entendimento pleno de que pessoas são o principal ativo de qualquer negócio. Os resultados são potencializados quando este capital intelectual é criativo e compartilha dos mesmos valores e objetivos.

É interessante observar a relevância do trabalho em equipe e da sinergia: um “indivíduo brilhante” trabalhando sozinho limita-se ao seu “brilhantismo”. Entretanto, este mesmo sujeito, dentro de uma equipe alinhada, motivada e em sintonia consegue entregar resultados de alta performance, ou seja, juntos somos melhores.

Inclusive diante de algum problema, as chances de sucesso são muito maiores quando várias mentes estão focadas nele. Em oposição a uma cultura individualista, o entendimento de que compartilhar tudo, até mesmo os pequenos progressos, faz toda diferença, é crucial em um cenário desafiador.

É neste contexto que se sobressai outro fator extremamente importante: feedbacks sinceros são essenciais para o desenvolvimento dos colaboradores e das ideias. Em uma equipe madura, feedbacks são encarados como força motriz, uma mola propulsora para o ponto ideal. Críticas e comentários são direcionados ao conceito e não ao seu proponente. Ter em mente esta diferença e encarar comentários, críticas e sugestões como parte inerente ao processo criativo fortalece o time e o conduz a pensar fora da caixa, sem receios ou preconceitos. Ideias só se tornam ótimas quando questionadas e testadas.

Uma quebra de paradigma proposta pelo livro é a maneira como tradicionalmente encaramos os erros. A percepção do autor pode ser sintetizada na seguinte afirmativa: o anseio de evitar o fracasso o torna mais provável. Ou seja, equívocos fazem parte de processo de concepção de um produto, agregam conhecimento e trazem um inegável aprendizado.

O medo de falhar faz com que as pessoas não assumam riscos e se prendam a planejamentos rígidos e burocráticos, contentando-se com soluções medíocres. O novo nasce de tentativas e erros.

Planejamentos são importantes, mas em um ambiente criativo não se pode controlar tudo. Daí vem outra máxima: quem planeja demais simplesmente leva mais tempo para errar. O pulo do gato está em encarar um descompasso com olhar resolutivo, o foco está na solução, não no problema.

É assim, provendo a organização e sua equipe de técnicas de recuperação num cenário adverso, que deve agir um gestor que pretende montar uma estrutura capaz de se recuperar em situações de crise.

Finalmente, Ed Catmull, sempre agiu no sentido de blindar a Pixar de agentes externos nocivos. O mercado está ávido por soluções, há prazos e pressão por todos os lados, cabe ao gestor a busca pelo equilíbrio, a dosagem perfeita entre o tempo da empresa e as exigências competitivas.

São estes, dentre tantos outros ensinamentos, que enriquecem este mix de biografia e lições de empreendedorismo, que tem como pano de fundo organizações cuja criatividade é a matéria-prima essencial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *