A conta invisível na DRE:
presenteísmo, turnover e desengajamento e como o RH prova ROI
- 5 min de leitura
Tem um custo que não aparece na DRE, mas aparece no resultado todo mês: gente presente, porém sem tração, saídas que viram buraco e um clima morno que derruba a produtividade do time sem alarde. Presenteísmo, turnover e desengajamento raramente chegam com etiqueta de “despesa”, então a empresa tenta resolver pelo que é visível (benefício, contratação, campanha). Só que o rombo está no trabalho real.
Dá para dar escala nisso. A FGV divulgou em novembro de 2025 que o engajamento no trabalho ficou em 39% e estimou uma perda anual de R$ 77 bilhões somando turnover (cerca de R$ 71 bi) e presenteísmo (cerca de R$ 6,3 bi). A FIEMG também aponta impacto de transtornos mentais na produtividade equivalente a 2,8% do PIB potencial. Em bom português: tem um vazamento grande demais para ser tratado como “pauta de RH”.
O ponto aqui é simples: o RH não precisa convencer ninguém com discurso. Precisa provar com indicador e prática.
Por que a diretoria sente a dor, mas não vê a linha do custo
A diretoria enxerga sintomas: atraso, retrabalho, erro aumentando, desgaste entre áreas, cliente reclamando, gestor virando apagador de incêndio. A explicação quase sempre vira “falta gente” ou “precisamos de benefício novo”. Só que muitas vezes não é falta de gente. É falta de energia produtiva!
E energia produtiva cai por três razões que se alimentam: presenteísmo (a pessoa está, mas não rende), desengajamento (faz o mínimo e se protege) e turnover (a empresa perde memória e estabilidade, sobrecarrega quem fica e abre outro buraco).
Presenteísmo:
o custo mais difícil de enxergar
Presenteísmo é quando o corpo bate ponto e a cabeça trabalha em câmera lenta. Pode ser cansaço, ansiedade, sobrecarga, conflito, falta de clareza, reunião demais. E ele costuma vir antes do absenteísmo.
Para começar a medir sem burocracia, dá para usar um pulso quinzenal com duas perguntas anônimas:
- “Nesta quinzena, quantas horas por semana você rendeu bem abaixo do normal por cansaço, estresse ou falta de foco?”
- “O que mais drenou sua produtividade: interrupções, falta de clareza, sobrecarga, conflitos, ferramentas, outro?”
Isso vira uma proxy (aquilo que não se observa diretamente) de “horas produtivas perdidas”. Não precisa se atentar aos centavos, a ideia não é essa. A ideia é mostrar tendência e onde atacar.
Custo do turnover:
não é rescisão, é tempo perdido
O custo do turnover não é só pagar saída e contratar de novo (apesar deste ser bem expressivo!). O mais caro é o tempo: rampagem, perda de padrão, queda de qualidade, time acumulando, liderança gastando energia em reposição.
Uma conta executiva, simples e suficiente:
Custo do turnover por pessoa = reposição + rampagem + sobrecarga do time.
Reposição: recrutamento, tempo do gestor, integração.
Rampagem: meses até performar no nível esperado.
Sobrecarga: erros, retrabalho, horas extras e “buraco” de entrega.
E aqui tem um detalhe importante para diretoria: nem todo turnover é problema. O problema é o turnover “evitável”, quando a saída acontece por liderança, falta de perspectiva, sobrecarga crônica e clima. É esse que o RH precisa mapear e reduzir.
Engajamento no trabalho virou variável econômica
Engajamento é muito mais que “gostar da empresa”. É energia colocada na entrega. Quando o engajamento cai, aparecem comportamentos bem concretos: a pessoa para de propor, para de aprender e passa a fazer só o combinado, sem proteger o resultado quando dá problema.
A FGV cita que metade dos profissionais desengajados relata perder até duas horas por dia por falta de motivação. Isso é um turno invisível indo embora.
O framework Rheserva
para provar ROI com 2 ou 3 indicadores
Aqui é onde o RH para de “defender iniciativa” e começa a defender resultado. O framework é enxuto:
Indicador 1: Horas produtivas recuperadas
Você mede horas perdidas (pulso + retrabalho + interrupções) e acompanha a recuperação depois dos ajustes. Esse indicador conversa direto com o Financeiro.
Indicador 2: Turnover evitável
Você separa saídas “normais” de saídas por causas influenciáveis (liderança, sobrecarga, falta de perspectiva, clima). A diretoria entende rápido quando você mostra onde está vazando.
Indicador 3: Qualidade de liderança percebida
Não é “gestor gente boa”. É prática: prioridade clara, feedback útil, conversas frequentes, justiça, apoio na remoção de barreiras. Quando isso sobe, os outros dois tendem a melhorar junto.
O que muda resultado de verdade:
rituais de liderança e ajustes de trabalho
Aqui tem uma provocação: muita empresa tenta resolver problema de trabalho com benefício. Benefício ajuda, mas não fecha o vazamento sozinho.
O que costuma funcionar é mexer no dia a dia:
Rituais de liderança
1:1 quinzenal com três perguntas: o que está pegando, o que está travando, do que você precisa de mim.
Ritual semanal de prioridade: o que é “top 3” da semana e o que não é prioridade (para proteger foco).
Ajustes de trabalho (mais fortes que benefício caro)
Regra de reuniões e interrupções (porque reunião demais é presenteísmo disfarçado).
Clareza de papel e acordos de entrega entre áreas (para cortar atrito e retrabalho).
Gestão de picos (pico não pode ser permanente, senão vira presenteísmo crônico).
Como apresentar isso para diretoria em 10 minutos
Três telas resolvem:
- Onde está o vazamento (horas perdidas, turnover evitável, liderança).
- O que foi feito (rituais + ajustes).
- O que recuperamos (horas, estabilidade, risco menor) e o ROI estimado.
ROI simples:
Ganho anual estimado = (horas recuperadas x custo hora) + (turnover evitado x custo médio por saída) + (redução de absenteísmo x custo diário)
ROI = (ganho – custo da iniciativa) / custo
Conclusão
Presenteísmo, custo do turnover, absenteísmo e engajamento no trabalho não são “pautas soft”. São vazamento de produtividade do time e, no fim, vazamento de resultado. O RH que ganha espaço na mesa é o que mede pouco, mas mede bem, e liga indicador a mudança real no trabalho. Se você quiser colocar isso de pé com método, rapidez e sem burocratizar, a Rheserva pode ajudar a desenhar o framework, implementar rituais de liderança e ajustar o trabalho para recuperar produtividade mensurável e conectar histórias de sucesso com resultado.
Se faz sentido isso por aí, manda uma mensagem pra gente!
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