Origem e Evolução da Psicologia Organizacional e do Trabalho no Brasil

Origem e Evolução da Psicologia Organizacional e do Trabalho no Brasil

No Brasil, tudo chegou tardiamente e devido a isso, as profissões apareceram como ocupações, atendendo às necessidades da população e se desenvolvendo com o crescimento das principais cidades. Dessa forma, com a psicologia não foi diferente. Apesar de a profissão ter sido reconhecida no Brasil em agosto de 1962, regulamentada em 1964 com a Lei nº 4119/62 e o país ter sido um dos pioneiros nesse processo, não possui um locus fundador e não começou nessa data, sendo uma profissão centenária, segundo Furtado. A psicologia brasileira derivou de um processo que foi instaurado lenta e progressivamente, de acordo com as exigências da sociedade e a construção dos saberes pelas universidades. E a busca de sua regulamentação se converte na busca do reconhecimento da profissão por meio do estatuto legal.

De acordo com Antunes era uma profissão que estava em crescente desenvolvimento nas principais universidades do país e o campo industrial começou a identificar a sua relevância nos processos de seleção, avaliação de desempenho e em trabalhos motivacionais com os colaboradores. Tais aspectos evidenciavam a sua importância para a sociedade mas, ainda assim, não era uma profissão conhecida por grande público, por ser considerada frágil e pelo país não ser considerado um polo de importância mundial que exigisse garantias para a regulamentação de profissões.

Furtado afirma que o desenvolvimento da fase atual do capitalismo, o capitalismo tardio, foi um fator importante para o sucesso da profissão, pois a Terceira Revolução Industrial mudou o modo de vida da população e aumentou a demanda pelo setor de serviços. O novo estilo de vida modificou a sociedade de modo a exacerbar o individualismo e proporcionar uma série de mudanças nas relações sociais. Assim, a Psicologia era o campo de conhecimento científico e profissional mais qualificado para intervir e comentar sobre tais mudanças.

Pessotti, divide a história da profissão em quatro períodos: pré-institucional (até 1833), institucional (1833-1934), universitário (1934-1962) e profissional (1962-até os dias atuais). Tal divisão não foi realizada com base em marcos teóricos, mas sim na presença ou ausência de instituições voltadas para a profissão. Já Pereira & Pereira Neto consideram o referencial teórico na delimitação dos períodos e propõem a divisão dos mesmos em três: pré-profissional (1833-1890), profissionalização (1890/1906-1975) e profissional (1975-até os dias atuais), sendo que o marco do último período foi o fato de o código de ética ter sido colocado em prática.

A criação do Conselho profissional em 1971 fez com que a intervenção social da profissão acontecesse de forma organizada e ajudou a orientar a maneira com que os profissionais formados iam ocupando o mercado de trabalho. Desde então o Brasil se tornou um país com um número significativo de psicólogos, sendo que em 2012 existiam 216 mil psicólogos inscritos e ativos no Sistema Conselhos de Psicologia, além dos que formaram e não exerciam a profissão.

Segundo Furtado, no período de estabelecimento do Conselho profissional, aconteciam as intervenções clínicas psicológicas nos consultórios, mas o crescimento econômico evidenciou a necessidade de os psicólogos atuarem na gestão de pessoas, realizando a seleção de profissionais, a avaliação de desempenho e as demais práticas voltadas para a Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT). Assim, depois do atendimento em consultórios, a atuação em POT passou a ser um setor de grande ocupação dos psicólogos nesse período e segundo Bastos et al. (2005), citado por Santos, Traub & Tieze (2011), está entre a segunda área de escolha de exercício profissional entre os graduandos, apesar dos cursos de Psicologia não oferecerem base para o exercício profissional.

por Thais Cabral

Rheserva Consultoria